Procura de executivos para a indústria começa a cair



Os "anos dourados" para a contratação de executivos no Brasil, em vários setores, ficaram para trás. Mantida em ritmo acelerado em 2010 e 2011, a demanda começou a ser atingida pelos efeitos da desaceleração econômica global. Segundo especialistas ouvidos pelo Valor, setores como o imobiliário, automotivo, químico e têxtil congelaram a abertura de vagas e até mesmo as substituições de profissionais no primeiro semestre.
"Embora a expectativa para o Brasil continue alta, praticamente todas as empresas de recrutamento revisaram seu crescimento para este ano", diz Rodrigo Vianna, diretor da Hays. Ele explica que as companhias sentiram desaquecimento na demanda por contratações, particularmente nos setores afetados pelo marasmo do mercado externo. "Indústrias de commodities, como a de mineração e o setor químico, andaram de lado no primeiro semestre", diz Vianna.

Esse desempenho corrobora o levantamento realizado em maio pela consultoria de "outplacement" Right Management. Na comparação com o mesmo período de 2011, o setor industrial concentrou o maior número de empresas que registraram desaceleração na oferta de posições executivas. Na cadeia automotiva e nos segmentos de eletroeletrônicos e químico, o número de vagas em aberto caiu pela metade.Os números decepcionantes sobre o comportamento desses setores industriais, divulgados ontem pelo IBGE, dão base ao refluxo na procura. No período de janeiro a maio, a produção de veículos automotivos declinou 18,1%, a maior queda entre todos os segmentos da indústria. Vestuário e acessórios amargam queda de 12,8% e têxteis, de 7,5%. Há recuo também para metalurgia e artigos de metal, de 4,2%, na comparação com o mesmo período de 2011. Para a indústria como um todo, a queda é de 3,4%.
Mas a contração na procura por executivos de alto nível não é geral. Há demanda farta em alguns setores. "Tecnologia e infraestrutura continuam entre os mais aquecidos", afirma a consultora Telma Guido. Na pesquisa da Right Management, as oportunidades em TI cresceram 144% em relação a 2011. A indústria de petróleo e gás e de infraestrutura, alvos de pesados investimentos, mantêm-se em alta. "Áreas que dependem de profissionais de engenharia não foram afetadas pela crise e buscam esses profissionais com muita intensidade", diz Laís Passarelli, sócia da Passarelli Consultores.

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