Os maiores tropeços de Eike Batista na OGX


Veja os escorregões que levaram a petrolífera de Eike a perder metade de seu valor – e corroer a fortuna de seu dono

 



Eike Batista, dono da OGX
Eike no IPO da OGX: levando o mercado da euforia para a desconfiança
São Paulo – Em menos de uma semana, Eike Batista viu metade de sua fortuna evaporar,despencou na lista de bilionários da Forbes e corre o risco de perder o posto de homem mais rico do Brasil. Mas a pior parte é esta: tudo isso, porque os investidores perderam a confiança na capacidade da OGX, sua petrolífera, de cumprir as metas que ela própria traçou.
É claro que erguer uma petrolífera do zero em poucos anos não é um projeto trivial. A OGX promoveu sua abertura de capital em junho de 2008, quando captou 6,7 bilhões de reais – o maior IPO brasileiro naquele ano.
Desde então, porém, a boa vontade de investidores e analistas em relação à empresa foi minada pelas sucessivas derrapadas de Eike Batista e sua equipe. Do constante adiamento do prazo de início da produção comercial à decepção com as reservas divulgadas, muitos tropeços contribuíram para a erosão da confiança.
Relembre, a seguir, os maiores tropeços de Eike e sua equipe na condução da OGX:
Tubarão decepciona
A gota d’água que esgotou a paciência dos investidores foi a divulgação, nesta terça-feira, de um relatório sobre a capacidade de produção do Campo de Tubarão, na Bacia de Campos. A OGX informou que a vazão “ideal” da área é de 5.000 barris de óleo equivalente por dia.
O problema é que a OGX afirmava, até então, que a capacidade de Tubarão ficaria entre 15.000 e 20.000 barris/dia – pelo menos três vezes o que será extraído. A punição do mercado foi imediata: as ações da OGX despencaram e arrastaram também os papéis das outras empresas de Eike.
Meta menor para 2012
No final de maio, a OGX deu outro banho gelado nos investidores, ao divulgar um relatório em que rebaixa a meta de produção para este ano. A empresa estima, agora, que encerrará 2012 com 40.000 barris de petróleo por dia.
No ano passado, a previsão dada era de 50.000 barris diários. A OGX afirma, agora, que este patamar só será alcançado no segundo trimestre de 2013. Após o corte da estimativa, os títulos em dólar da OGX despencaram para o menor nível em seis meses.
Atrasos no início da produção
Uma das coisas que mais irritaram os investidores, ao longo do ano passado, foram os sucessivos adiamentos da OGX para o início da produção comercial. A previsão inicial era de que o petróleo começaria a ser extraído em junho de 2011. Isso só ocorreu, efetivamente, em 28 de janeiro deste ano – após várias revisões da data.
Falta de contratos comerciais de longo prazo
A produção inicial da OGX refere-se a um teste de longa duração do poço OGX-26HP, localizado no Campo de Waimea, na Bacia de Campos. O petróleo extraído será vendido para a Shell, com quem a empresa fechou seu primeiro contrato. O acordo prevê a venda de 1,2 milhão de barris de óleo à Shell, divididos em dois lotes de 600.000 barris.
Para os analistas, o problema é que isto não é um contrato comercial de longo prazo. A empresa ainda não anunciou, de fato, para quem vai vender o óleo que extrair comercialmente.
Reservas decepcionam
Em abril do ano passado, a consultoria internacional DeGolyer & MacNaughton, especializada em petróleo, divulgou um relatório revisando as estimativas de reservas da OGX. A D&M concluiu que os recursos potenciais de petróleo e gás da empresa são de 10,8 bilhões de barris equivalentes.
De um lado, o mercado se decepcionou com alguns números, como os 3 bilhões de barris de reservas contingentes na Bacia de Campos – os analistas esperavam 4 bilhões. De outro, Eike minimizou o relatório – contratado pela própria OGX -, afirmando que a D&M fora muito conservadora e que não descartava, no futuro, contratar outra consultoria.
O relatório fez com que a OGX perdesse, em um dia, quase 11 bilhões de reais em valor de mercado.
Poços secos preocupam
Em janeiro de 2011, a OGX sofreu uma forte queda na bolsa, devido ao anúncio da perfuração de um poço seco na Bacia de Santos – o 1-OGX-23. Era o terceiro poço sem viabilidade comercial que a empresa perfurava na área, de um total de seis executados.

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