O senhor do mar e dos ventos


Por Daniela D'Ambrosio | Para o Valor, do Rio

Lula / Lula
É cedo para o almoço. Faltam alguns bons minutos para o meio-dia de uma destas segundas-feiras de sol envolvente no Rio. No belíssimo bairro da Urca, a pacata rotina segue seu curso, como se imune ao caos da cidade. Às margens da Baía de Guanabara, no tradicional Bar e Restaurante Urca, o tilintar de pratos e talheres ainda é tímido. A vista do lugar enfeitiça. E compensa o exíguo espaço do restaurante. Aos poucos, as mesas começam a ser ocupadas. Uma escada estreita liga o bar, na parte de baixo, ao restaurante, no andar de cima. Eis que surge Lars Grael, ágil na condução de suas muletas. Olhares entre o complacente e o admirado miram o atleta e parecem reconhecê-lo, sem, contudo, abordá-lo. Lars nos cumprimenta e aceita, gentilmente, a sugestão de sentar-se no lugar escolhido pela fotógrafa - um tanto apertado pela mesa de trás, mas emoldurado pela familiar imagem de um mar repleto de barcos.
Coloca as muletas debaixo da mesa com a mesma desenvoltura que as usa para andar. Rápida e habilmente. "Ando mais rápido do que muita gente", diz, sem nenhum embaraço. Lars começou a vida como iatista e chegou a conquistar dois bronzes nas Olimpíadas de Seul, em 1988, e Atlanta, em 1996. Até que num domingo de setembro de 1998, aos 34 anos e no auge da carreira, a vida lhe abriu um parêntese e, sem a menor explicação, o medalhista olímpico precisou reescrever a sua trajetória. O drama de ter tido a perna direita decepada por uma hélice quase coloca um ponto final na sua história. Mas acabou por render sucessivos capítulos de superação ao longo desses 14 anos - o que Lars conta, generosamente, ao longo deste "À Mesa com o Valor".
Ele surpreende pelo jeito franco de ser. Fala sobre tudo, não dissimula ou subtrai suas opiniões. Dono de um repertório crítico, seja em relação à política, seja na referência aos esportes ou às instituições brasileiras, o iatista não mitiga suas dores, suas queixas. Fala abertamente. Não usa eufemismos para abrandar o drama que viveu.
As vitórias depois do acidente têm o gosto da volta por cima, mas os bronzes das Olimpíadas foram muito marcantes
O restaurante já está completamente cheio. O suficiente para que tudo ali possa ser visto e ouvido. O barulho incomoda, mas Lars tem um timbre de voz alto, impositivo e claro - a ponto de permitir uma gravação medianamente audível, para alívio da repórter. Os flashes da fotógrafa chamam pouca atenção, como se o ambiente fosse uma constante e requisitada locação para fotos. O restaurante escolhido, além da aprazível vista para a Baía de Guanabara e do ambiente descontraído, fica a poucos metros de sua casa.
Filho de militar, o iatista considera-se um cidadão do Brasil. Por mar e por terra. A navegação lhe permitiu conhecer as nuances de um imenso Atlântico. Já a carreira do coronel Dickson Grael conduziu a família por várias cidades: São Paulo (onde nasceu), Uruguaiana (ainda criança), Niterói (onde passou a maior parte de sua vida) e Brasília (por três vezes distintas). Há menos de dois anos, escolheu morar na Urca. "Porque mais parece uma cidadezinha do interior parada no tempo. Não gosto de cidade grande", revela. E, obviamente, por estar debruçado nas águas da baía. "Eu até vivo sem mar, mas não sem água. Os anos em que morei em Brasília só me satisfizeram por causa do lago Paranoá", conta. Ali, está estrategicamente próximo de seu barco, um pequeno bote de borracha que o leva em econômicos 8 minutos - 15, contando o tempo de atracação - para Niterói, onde fica seu veleiro, sua família e o Projeto Grael.
Direto e objetivo, Lars logo pergunta se o pedido já foi feito. Diante da negativa, toma a dianteira e faz duas sugestões: menu executivo, "bom e com um preço convidativo" ou camarão na moranga. "Eles dizem que dá para duas pessoas, mas, na verdade, é para três", avisa. Como a fotógrafa não pretende almoçar, ele descarta a opção mais farta e ficamos no prato executivo mesmo. Lars escolhe o camarão à milanesa com arroz à grega, no que é acompanhado pela repórter. "Você é de São Paulo?", pergunta. E recebe um sim como resposta. "E veio aqui só para me entrevistar? Muito obrigado." Toma um refrigerante light. Como esportista, nunca foi de beber muito, mas teve que restringir ainda mais a ingestão de álcool depois do acidente. Destilados - gostava de gim-tônica e caipirinha de vez em quando - nunca mais. Calcula-se que tenha recebido mais de 20 litros de sangue, quatro vezes o volume de sangue que circula no corpo humano.
Lars na hora das entradas num Urca ainda sem movimento: ele escolheu viver no bairro que dá nome ao restaurante "porque mais parece uma cidadezinha de interior"
Lars Grael estava participando de uma regata em Vitória (ES), quando uma lancha invadiu a área de competição e atropelou o seu barco. Demorou alguns segundos até que ele percebesse o que havia acontecido. "Na hora, não senti dor nenhuma. Tentei nadar e senti dificuldade", lembra-se. "Foi quando percebi a cor do mar, olhei para baixo e vi que tinha perdido a perna", continua. Exímio nadador, o velejador calcula que tenha nadado cerca de 15 metros até o barco mais próximo. Teve duas paradas cardiorrespiratórias e foi para a UTI. Transferido para São Paulo, ainda passou por nove cirurgias. "A partir dali, comecei uma nova competição. A luta pela vida."
O acidente não é tabu para Lars Grael. Ao contrário. É a sua bandeira. Com 1,86 metro de altura, porte atlético, rosto bronzeado de quem vive no mar e cabelos bem-comportados, o atleta não usa perna mecânica. O que poderia ser, ao menos ao olhar alheio, uma forma de amenizar ou de encobrir o seu problema. Até tentou, mas não se adaptou. Teria que fazer mais duas cirurgias corretivas e passar um tempo paralisado. Preferiu assumir a amputação e, mais do que isso, sua condição de deficiente físico.
Virou símbolo de superação e resiliência. "É muito satisfatório saber que posso fazer a diferença na vida de uma pessoa", diz. "Frequentemente, sou chamado por famílias de amputados para dar uma palavra de apoio. As pessoas entram em desespero e eu sei quanto uma mensagem de otimismo é importante", diz, rememorando um período complicado. "Superada a luta inicial pela sobrevivência, fiquei em baixa, foi difícil buscar motivação para viver. O apoio e carinho da família e do país inteiro me ajudaram bastante, mas o que me fez entender que a vida continuava e a minha capacidade de ser feliz não tinha sido cerceada foram os depoimentos de outros deficientes, como a de uma enfermeira do [hospital] Einstein que se formou, se casou e teve filhos depois de perder a perna."
O brasileiro é capaz de pagar fortunas para ter vista para o mar, adora praia, mas dificilmente passa da arrebentação
Além das dificuldades emocionais, inerentes a esse tipo de trauma, o iatista teve que conviver com a dor física - também conhecida por "dor fantasma", que, por vezes, ainda o atormenta. "Sinto a perna perdida 24 horas por dia, quase sempre como manifestação de dor, que varia de tipo e intensidade, se estou estressado é pior." As crises, que eram violentas no início e foram aliviadas com coquetéis fortíssimos, carregados na morfina, diminuíram bastante. "Sentia, principalmente, o pé e o joelho. Tem o formigamento, a queimadura, o esmagamento, os choques", detalha, sem melindres.
Algo dessa facilidade e espontaneidade em falar do que aconteceu, certamente, vem das palestras que ministra. São quase 60 por ano e começaram, por sugestão de uma amiga, para complementar renda. Tornaram-se sua principal fonte financeira. Lars Grael fala de operários a membros de conselho de administração, basicamente, sobre valores esportivos, motivação e superação.
Lars já terminou seu prato, o sol que entra pela janela ilumina seu rosto. Ele começa a falar, orgulhoso, do sangue viking e da herança escandinava que o sobrenome Schmidt (do lado materno) carrega. Foi da ascendência dinamarquesa que veio a cumplicidade com o mar e com o vento, cumplicidade que já chega à terceira geração da família.
Não há como falar dele sem citar o irmão Torben, o maior medalhista olímpico do Brasil, dono de dois ouros, dois bronzes e uma prata. Três anos e meio mais velho que Lars, Torben Grael foi quem começou a velejar na família. Ambos seguiram os tios, os gêmeos Axel e Erik, tricampeões mundiais na década de 1960. A geração seguinte parece ter herdado a mesma paixão pelo mar. Lars é pai de três filhos (Trine, do primeiro casamento, Nicolas e Sofia, nascida depois do acidente). Nicolas, de 15 anos, é aficionado por vela e já participou de campeonatos até fora do Brasil. A caçula, Sofia, de 12, já chegou a competir na vela e agora faz aulas de windsurfe. Os filhos de Torben competem em alto nível, fizeram campanha olímpica para Londres e chegaram perto da classificação. "São duas promessas para o Rio 2016", aposta o tio.
Curiosamente, o dono do sobrenome Grael, sinônimo de vela no Brasil, não era um homem do mar e, sim, um amante do céu. Militar do Exército brasileiro e de origem predominantemente germânica, o coronel Dickson (que morreu em 1988) chegou a presidir a comissão desportiva militar brasileira e destacou-se como paraquedista tanto esportivo quanto militar. A filha mais velha de Lars, que navega apenas por insistência do pai, foi a única que seguiu a predileção do avô e já saltou de parapente. "Tenho até medo de altura", admite Lars.
O certo é que o gosto pela política, esse, sim, foi herança paterna. "Meu pai era muito politizado, inclusive dentro das Forças Armadas", diz. Antes do acidente, Lars já participava de entidades do setor náutico. Não fala em experiência política, mas pública. "Política, não, porque não tenho filiação partidária. Tive uma vida pública." Em 1998, foi convidado para ser secretário nacional de Esportes, do governo Fernando Henrique Cardoso. Depois, já na fase final do governo de Geraldo Alckmin, assumiu a Secretaria Estadual da Juventude, Esporte e Lazer, cargo que ocupou até o fim de 2006. "Eu estava em evidência por causa do acidente e nem era eleitor do FHC", admite. Votava em quem? "No Lula e no Brizola", revela.
- Manteve o voto ou mudou?
- Mudei, passei a votar no PSDB.
- O que lhe agradou e o que o decepcionou na política?
- O que me atraiu foi poder contribuir para o esporte. Foi uma experiência muito boa. Pude ver como uma pessoa na vida pública, com dedicação, pode impactar a vida de milhões de brasileiros. Descobri que na vida pública tem muita gente séria, mas a imagem que fica para a sociedade é o que vem à tona na imprensa diariamente. A política como está hoje no Brasil é desanimadora. O que prevalece é esse fisiologismo, já perdemos até a capacidade de nos indignar com os escândalos.
- Saiu na imprensa que você foi cogitado para vice-prefeito na chapa do PT em Niterói.
- Imagina, balão de ensaio, especulação boba. Eu não tenho domicílio eleitoral em Niterói [vota em São Paulo, sua cidade natal] e não tenho filiação partidária. Meu irmão mais velho, Axel, é que é historicamente filiado ao PV.
- Pretende se candidatar?
- Não.
Até vivo sem mar, mas não sem água. Os anos em que morei em Brasília só me satisfizeram por causa do lago Paranoá
Mais tarde, pergunto se Lars voltaria se fosse convidado para ocupar algum cargo do governo. "Apenas numa circunstância desafiadora, para implementar mudanças necessárias ao setor esportivo. Algo munido de muito idealismo."
Ciente das dificuldades de conseguir patrocínio no Brasil, sobretudo para um esporte sem o menor apelo popular e tido como elitista, Lars orgulha-se de ter participado, desde o início das discussões, da Lei de Incentivo ao Esporte, regulamentada em agosto de 2007, já no governo Lula. Empresas que investirem em projetos esportivos e paradesportivos poderão se beneficiar do incentivo fiscal no pagamento do Imposto de Renda até o fim de 2015. "A lei federal é uma luta histórica nossa", diz. Lars recorda-se das discussões acaloradas que travaram com os artistas. "Eles defendiam que a lei do esporte vinha para roubar incentivo da cultura, era patético."
Para o atleta, depois da aprovação da lei, o patrocínio chegou com mais facilidade ao esporte. Mas rapidamente coloca sua pitada de realismo no assunto e enxerga na lei uma nova distorção. "Acabou com o patrocínio voluntário que existia antes. A renúncia é integral, então, no fundo, é o governo abrindo mão de uma receita em favor de um projeto que o patrocinador escolheu", explica. Na opinião de Lars, deveria existir a contrapartida da empresa para gerar um comprometimento maior entre patrocinador e patrocinado. Na lei estadual do Rio, segundo Lars, a empresa assume um sexto do valor do contrato. "A lei federal é austera, correta e bem administrada, mas eu acho que falta o lado da doação da iniciativa privada." Lars é patrocinado pela Light, empresa na qual trabalhou depois de sair do governo.
Depois do acidente, o iatista não pôde mais jogar tênis ou correr, duas coisas que lhe davam enorme prazer. Mas teve a felicidade de conhecer a fundo um esporte que, sim, lhe permitia prosseguir. Foi Torben, sempre presente, quem o incentivou a continuar velejando. Lars trocou a classe Tornado (pela qual havia sido decacampeão brasileiro e pentacampeão sul-americano) pela Star, que exige mais força nos membros superiores e na qual a dependência da perna é menor, e prosseguiu. "Eu sei que tenho uma desvantagem, mas tento compensar com paixão, experiência e estratégia, enfim, fazer o que eu posso." Depois do acidente, Lars Grael recebeu 18 títulos internacionais, entre eles 3 títulos sul-americanos, e 22 nacionais.
Bel Pedrosa/Valor / Bel Pedrosa/Valor
Já tomando um cafezinho: "Ainda consigo ser competitivo com velejadores ditos normais", responde à pergunta sobre participar de uma Paraolimpíada
Não parece preocupado com a adequação do seu discurso. Diz que o sabor do pódio na Olimpíada é, sim, maior do que as conquistas que obteve após o acidente. "As vitórias depois do acidente têm o gosto da volta por cima, mas os bronzes das Olimpíadas foram muito marcantes." O sonho do ouro em Sydney, para o qual se preparava, foi maculado naquele fatídico domingo de sol desbotado em Vitória.
Depois do acidente, Lars não disputou mais a Olimpíada. Seu irmão desistiu de tentar uma vaga para os Jogos Olímpicos de Londres. Quem representa a classe Star pelo Brasil é a dupla Robert Scheid e Bruno Prata. Na opinião do atleta, a dupla tem uma grande chance de trazer o ouro para o Brasil. "Ela está numa fase fantástica e tem a nossa torcida." Os iatistas brasileiros que concorrem pelas demais categorias também têm chance de subir ao pódio, acredita.
-Você já pensou em concorrer na Paraolimpíada?
-Ainda não, mas é uma possibilidade. Ainda consigo ser competitivo com velejadores ditos normais.
Em outubro de 2003, Carlos Guilherme Lima, que dirigia embriagado o iate do pai, foi condenado a pagar a Lars Grael R$ 2,84 milhões e pensão mensal vitalícia de R$ 7,34 mil. A indenização nunca foi paga. "Nem um único centavo", Lars revela. Seu advogado tentou executar bens, diz ele, mas o empresário já havia tirado o que havia em seu nome. "Entre a decisão da Justiça e o cumprimento, existe um abismo muito grande", afirma.
O tom de voz se mantém aquele mesmo que passeou por diversos assuntos sem censura ou tabu, mas, quando a conversa envereda para a indenização, a feição de Lars muda instantaneamente. "Confesso que nem penso mais nisso. Sou mais um caso de impunidade no país da impunidade", diz. E continua, visivelmente, indignado. "Não é um privilégio meu, acho que o revoltante é o sistema judiciário como um todo. Nada do que aconteça vai devolver o que eu perdi, eu raramente falo e não gosto de falar sobre isso, só me dá gastrite", acrescenta e interrompe o assunto.
O rumo da conversa segue, inevitavelmente, para os acidentes náuticos. E, de novo, fala com propriedade e sem restrições sobre isso. "Faltam meios de fiscalização no Brasil e ela só se daria se tivéssemos uma guarda costeira. Nosso congresso se limita a votar e julgar CPIs ou medidas provisórias, esse assunto nem sequer entra em discussão", ressalta. "A fiscalização, onde há, é pequena e pontual, feita com boa vontade dentro da limitação da Marinha, da Capitania dos Portos e das Delegacias Fluviais, mas o fato é que a Marinha não tem dever constitucional de policiamento nem aparato de homens e embarcações para isso."
O garçom nos oferece a sobremesa. Lars recusa. Tem pesagem no dia seguinte e, embora precise estar dentro de um limite máximo de peso, se ultrapassar a marca é desclassificado. No dia seguinte, ele seguiria com Torben para Ilhabela, litoral paulista, para disputar a Mitsubishi Cup. Pede café e conta que adquiriu o hábito depois que entrou no serviço público. "Quando comecei a trabalhar em Brasília, as reuniões eram tão chatas, mas tão chatas, que me davam sono. Eu desisti de só tomar água e aprendi a tomar café", diz Lars na primeira das duas rodadas de café.
Quando o segundo café chega, está falando sobre o Projeto Grael, que agora se tornou a ONG Instituto Rumo Náutico. Ele e Torben fazem um trabalho tanto voltado para a democratização da vela como oferecem cursos de capacitação para jovens que desejam trabalhar no meio náutico, um setor onde falta mão de obra especializada.
- Mas é difícil popularizar o esporte náutico, não? Um barco custa caro...
- É muito mais uma questão cultural do que prática. Futebol precisa de terreno, que custa uma fortuna em áreas urbanas. Um Optimist [barco no qual se inicia a prática da vela] usado, em bom estado, custa em torno de R$ 1,5 mil. Fora que os donos de barcos precisam de tripulantes (o proeiro de Lars na classe Star, que disputa com ele as regatas, saiu do Projeto Grael). O brasileiro é capaz de pagar fortunas para ter vista para o mar, adora praia, mas dificilmente passa da arrebentação.
Lars recorre a uma explicação antropológica interessante. "Acho que vem na bagagem genética. A corte de Portugal saiu fugida de lá. Fizeram uma viagem traumatizante. O índio viu sua desgraça chegar do mar. Os negros que compõem a nossa base étnica foram violentados, escravizados, transportados em porões de navios, onde muitos sucumbiam na própria viagem. Há uma memória traumática do mar."
O almoço termina. O restaurante ainda tem boa parte das mesas ocupadas. Quando Lars se levanta, novos olhares com um quê condescendente. Pouco antes, ele havia dito que o sentimento de pena não é negativo. Apenas equivocado. "O pior de todos é a indiferença", comenta. "O deficiente precisa de respeito e, se possível, conquistar a admiração das pessoas". Conquista alcançada. Mais uma.

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