FGC reduz juros cobrados em linhas para bancos médios



Enquanto o custo de captação dos bancos de pequeno e médio portes está em alta nos últimos tempos, as linhas de liquidez que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) dá às instituições ficaram mais baratas desde 25 de junho. Em 2008, o FGC começou a conceder funding às instituições financeiras por meio da compra de carteiras de crédito ou de Certificados de Depósito Bancário (CDBs), o que tem prevenido crises bancárias sistêmicas.
A novidade chega em boa hora para os bancos de pequeno e médio portes. Reportagem do Valor do dia 3 mostrou que as captações de tornaram mais caras depois que o Banco Central interveio, por meio do Regime de Administração Especial Temporária (Raet), no Cruzeiro do Sul, suspeito de irregularidades ligadas às operações de crédito. Investidores estão cobrando até três pontos percentuais a mais dos bancos para comprar papéis.
Antes, para comprar CDBs garantidos por operações de crédito, o FGC exigia das instituições uma remuneração equivalente à Selic mais 2% ao ano. A taxas de hoje, isso equivale a 10,67% ao ano.
Com a redução feita no fim do mês passado, os bancos que procuram o FGC para tomar linhas de liquidez passaram a pagar 9,78% ao ano (para operações de até 360 dias), 9,86% (entre 360 e 720 dias) e 10,03% (acima de 720 dias). Isso porque o FGC substituiu a cobrança da Selic mais um percentual fixo por um percentual da taxa básica, que vai de 115% a 118% ao ano.
A avaliação do FGC, segundo o Valor apurou, é que a remuneração anterior estava se tornando pesada para as instituições financeiras, principalmente com a trajetória de queda da Selic. A cada vez que a taxa básica de juros era reduzida, os 2% fixos das transações ficavam mais caros para os bancos tomadores dessas linhas.
Essa não é a primeira vez que o FGC reduz o custo cobrado nas operações de liquidez que dá aos bancos. Em 2008, quando em meio à crise financeira internacional o FGC começou a comprar carteiras de crédito das instituições, a remuneração exigida era a Selic mais 4% ao ano. Dois anos depois, a parcela fixa do empréstimo foi reduzida para 2%.
Procurado pela reportagem, o FGC informou que não notou uma demanda maior por suas linhas nesses primeiros dias depois da redução da remuneração exigida dos bancos, feita no dia 25. O fundo tem R$ 3 bilhões tomados em seu balanço por operações de liquidez para bancos. Esse volume, não estão incluídas as transações de capitalizações feitas em bancos pelo FGC, como é o caso, por exemplo, do socorro ao PanAmericano.

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