BC retoma tom otimista e vê avanços no curto praz



O Banco Central está hoje menos preocupado com a possibilidade de algum evento dramático no cenário internacional. Retomou o tom otimista e demonstra confiança em que o conjunto de estímulos monetários, fiscais e pontuais que o governo adotou nos últimos meses vai levar a economia brasileira a um crescimento anualizado de 4% no quarto trimestre - ou pouco mais de 1% em comparação com o terceiro -, com inflação no centro da meta de 4,5% e inadimplência em queda. Com juros básicos mais baixos, desvalorização da taxa de câmbio e um pacote de incentivos ao investimento que será anunciado pela presidente Dilma em agosto, estariam dadas as condições para o país crescer 4% em 2013.
No pacote, além de redução de impostos federais sobre o consumo de energia - o objetivo do governo é diminuir em cerca de 10% o custo do insumo para grandes consumidores -, pode ser anunciada também uma desoneração mais horizontal, que beneficie todo o setor produtivo, com a unificação do PIS/Cofins e diminuição de alíquota na margem. Some-se a essas iniciativas o conjunto de concessões ao setor privado para portos, aeroportos, rodovias e ferrovias. Com isso, o governo acredita que estará dando um "choque" de competitividade importante na economia.

Duas notícias animaram a área econômica nos últimos dias. Os investimentos estrangeiros diretos atingiram em junho cerca de US$ 6,5 bilhões e continuam fortes em julho, devendo neste ano cobrir todo o déficit em conta corrente. E a inadimplência, que nos créditos contratados pelas pessoas físicas chegou a 8%, está se estabilizando. O BC já identificou uma melhora da inadimplência nos atrasos de pagamentos entre 15 e 90 dias, que são um indicador antecedente.Os juros já caíram 450 pontos e o BC liberou cerca de R$ 80 bilhões em depósitos compulsórios, numa reação à forte desaceleração da economia verificada a partir do segundo semestre do ano passado, quando a crise externa se acentuou. Com compulsórios ainda elevados - hoje somam cerca de R$ 390 bilhões -, o governo tem margem para flexibilizar a política monetária se for necessário.

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