Urgência no governo



O feriado prolongado desta semana é mais que oportuno para a equipe econômica arredondar medidas que promovam o crescimento. Uma ação do governo – certamente para além da redução da taxa de juro – ganhou urgência a partir do decepcionante desempenho da economia brasileira e da evidência de que a política monetária é pouco para o tamanho do problema. O primeiro efeito do PIB desalentador anunciado na sexta-feira é sobre as expectativas de expansão da atividade para este ano, já em revisão no encerramento da semana e com potencial para alterar projeções que virão na pesquisa Focus nesta manhã. O segundo efeito, nada imediato, é sobre a imagem do governo e da presidente Dilma Rousseff. Falta de confiança no vigor da economia tem potencial para minar, mais cedo ou mais tarde, índices de popularidade.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, não vê necessidade de afrouxar a meta fiscal para estimular a economia. Confiante, afirma que a desoneração de 15 setores, válida a partir de julho, e a redução dos juros e dos spreads bancários terão efeito a partir do segundo semestre. A grande aposta do governo no crédito e nos juros mais baixos tem novo round hoje com a entrada em vigor de novas (e menores) taxas de juros cobradas por Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Bradesco nos empréstimos.
Essa rodada, alertaram as três instituições, foi inspirada por mais uma redução da taxa Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom), agora na mínima histórica de 8,5%. O mercado de juros vê prolongamento ou maior intensidade do ciclo de corte do juro básico pelo Banco Central. Mas a expectativa com os estímulos decorrentes de mais ajuste monetário sobre a atividade não se firma. A política fiscal chega ao debate.
Ribamar Oliveira, do Valor, relata que o novo “mix” de política macroeconômica só foi possível porque o governo obteve, no ano passado, um aumento assombroso da arrecadação. A queda da receita deste ano leva o "mix" de política econômica inaugurado por Dilma ao esgotamento. Resta saber, portanto, o que nos reserva o governo. E quanto o BC está disposto a abraçar de uma mudança na gestão dessa política.
Em tempo: O BC explicou na ata da última reunião do Copom, e pode repetir na próxima, que sai na sexta-feira, que a formulação da política monetária está levando em conta o cumprimento da meta de superávit primário de R$ 139,8 bilhões (cerca de 3,10% do PIB), sem ajustes, em 2012. Além disso,  admite-se, como hipótese de trabalho, a geração de superávit primário de R$ 155,9 bilhões (cerca de 3,10% do PIB), sem ajustes, em 2013. Para 2014, admite-se como hipótese de trabalho a geração de superávit primário de 3,10% do PIB, sem ajustes.

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