Ultrapar atrai atenções após valorização expressiva



A animada festa com a ação ordinária (ON, com voto) da Ultrapar parece ter chegado a um momento decisivo. Quem comprou o papel lá trás deve estar agora se perguntando: está na hora de ir para casa ou o baile continua? Desde a entrada da empresa no Novo Mercado, em agosto do ano passado, a ação apresenta desempenho positivo. Este ano, por exemplo, já subiu 38,19% (até o último dia 18), enquanto o Índice Bovespa caía 0,98%.
Diante disso, os analistas debatem se o preço já chegou ao ápice ou não. Alguns acreditam que a festança não tem hora para acabar e vai se transformar em uma "rave" longa e divertida. Esses recomendam a compra. Outros já começam a dar adeus ao baile, entendendo que o melhor da festa já ficou para trás. A maioria, entretanto, opta por esperar o que vem por aí. Segundo os dados disponíveis na "Bloomberg", seis analistas recomendam a manutenção do papel na carteira, três aconselham a compra e dois, a venda.
A XP Investimentos, por exemplo, retirou a ação de sua carteira recomendada semanal, divulgada na segunda-feira. O motivo é a forte valorização ante o Ibovespa. Há um entendimento que o papel não pode render muito mais no curto prazo. William Castro Alves, analista da corretora, explica que a valorização de 13,8 pontos percentuais acima do Ibovespa desde maio até o último dia 18, quando a ação Ultrapar entrou na carteira, foi o que provocou a decisão. "Decidimos realizar [o lucro com a venda do papel]
por entender que já estava na hora", afirma Alves. No lugar da Ultrapar, a XP colocou a ação preferencial (PN, sem voto) da AES Tietê, companhia de geração de energia elétrica.
No dia 13 de junho, a Itaú Corretora também mexeu na sua carteira Top 5. O papel, que figurou no segundo lugar do ranking de preferências da corretora do banco Itaú por algumas semanas, foi substituído pela ação PN da Ambev, fabricante de bebidas citada por vários investidores que procuram ativos defensivos. A troca foi feita porque a Ambev tem "mais espaço para recuperação neste momento".
Os dados da "Bloomberg" sobre o preço-alvo da ação sinalizam que a cotação em bolsa já pode ter ultrapassado o valor projetado por alguns analistas. De acordo com agência, o preço-alvo médio estimado pelos analistas para os próximos 12 meses é de R$ 41,13. Na segunda-feira, dia 18 de junho, o papel fechou a R$ 43,65. Ontem, o papel era negociado em alta na bolsa.
O analista técnico Raphael Figueiredo, analista técnico da MyCap, home broker da corretora Icap, argumenta que a ação está rompendo uma nova barreira histórica. Ele diz que, ao ultrapassar os R$ 44,40/R$ 44,45, a cotação entra em um novo patamar. Segundo ele, "para engatar um novo viés comprador", a cotação precisa se consolidar "acima dessa região". "Além disso, considero prudente o investidor subir o stop [preço mínimo] de proteção para a região dos R$ 42,38", afirma Figueiredo,
A ON da Ultrapar começou a subir no ano passado, quando a empresa decidiu ingressar no Novo Mercado. Além da maior atratividade pela melhora na governança, a companhia também recebe uma boa avaliação dos analistas pelos indicadores de desempenho que apresenta. Alves, da XP Investimentos, salienta que o retorno sobre o patrimônio líquido de 15% é muito positivo. "É um número muito interessante quando lembramos o setor em que a empresa atua. O mercado de distribuição de combustíveis [em que o grupo atua com a Ipiranga e a Ultragaz, duas de suas quatro empresas] opera com uma margem [bruta de lucro] entre 7% e 7,5%. É muito baixo", afirma. O retorno sobre o patrimônio deve fechar ainda um pouco maior. É o que avaliam os analistas da área de pesquisa d mercados do Deutsche Bank, que estimam o indicador em 17% no fim deste ano.
Além desse bom desempenho econômico-financeiro, a empresa apresenta algumas outras vantagens. Os analistas da Itaú Corretora explicam que haviam alocado o papel em sua carteira de recomendações porque a empresa é "voltada para a economia doméstica, com fluxo de caixa positivo e previsível e [porque] apresentava potencial de crescimento".

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