Tacada do Tesouro



Se tem um ativo fora de moda no Brasil é a Letra Financeira do Tesouro. A LFT, título público federal indexado à taxa básica de juro, foi criado há quase trinta anos como Letra do Banco Central (LBC) para garantir o financiamento da dívida pública que hoje em nada assombra o governo brasileiro. Tanto que o Tesouro Nacional exterminou quase R$ 100 bilhões do estoque desse papel em apenas quatro meses. Em duas mega operações, uma realizada em fevereiro e outra na segunda-feira, o Tesouro trocou LFTs por outros títulos com remuneração prefixada. A iniciativa é um grande avanço para a gestão da dívida pública e da política monetária.
Na segunda-feira, o Tesouro trocou R$ 38 bilhões de LFTs por prefixados na carteira do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), em linha com a estratégia definida em seu Plano Anual de Financiamento (PAF). Nessa operação, foram trocados ainda R$ 6 bilhões em títulos prefixados de curto prazo por outros de prazo mais longo. Arno Augustin, secretário do Tesouro, esclareceu que essa troca corresponde a uma redução de cerca de 2 pontos percentuais na participação de papéis indexados à Selic. O objetivo do governo é fechar o ano com a parcela “selicada” em 22% do total da dívida mobiliária interna que atingiu R$ 1,794 trilhão em abril.
Em fevereiro, o Tesouro trocou R$ 61,2 bilhões em LFT que estavam nos chamados “fundos extramercado” por outros títulos públicos, em sua maioria prefixados como LTN e a NTN-F. Nesses fundos estão alocados recursos de autarquias, empresas públicas e de capital misto à exceção da Petrobras. Ao alterar a política de aplicação de recursos desses fundos, o Conselho Monetário Nacional avançou em três frentes: abriu espaço para que esses investimentos se tornem mais rentáveis, melhorou a perspectiva de composição da dívida pública federal pela redução na fatia de títulos com taxas flutuantes e avançou na política do governo de desindexar a economia – processo que proporciona maior eficiência à política monetária.
Outra decisão tomada pelo CMN em novembro passado foi autorizar que os fundos extramercado aplicassem recursos pela Caixa Econômica Federal e não somente pelo Banco do Brasil. Os recursos desses fundos devem estar alocados em no máximo 75% em títulos do Tesouro e no mínimo 25% em CDB. O CMN decidiu também estabelecer um benchmark que deve ser seguido por esses fundos que passaram a ser referenciados à nova família de índices da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

PARCEIROS E COLABORADORES UTILIZAM:

.