Fundos renda fixa índices soluçam no início de junho



Depois de brilharem em maio com uma rentabilidade média de 1,76%, graças às expectativas de talhos crescentes na taxa de juros (Selic), os fundos renda fixa índices iniciaram junho no vermelho. Nos oito primeiros dias do mês, período em que o Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI) - referência para aplicações conservadoras - variou 0,16%, os renda fixa índice amargaram perdas de 0,76%, apontam dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
A rentabilidade desses fundos oscila com as perspectivas do mercado para os juros. No começo de junho, pesou a expectativa de que pressões inflacionárias causadas pelos cortes nos juros obrigariam o governo a elevar a Selic no longo prazo. Recheados de Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B), em geral com prazos mais longos, os fundos perderam com esse movimento, segundo Sandra Blanco, consultora da Órama, butique virtual de investimentos.
Não é a primeira vez no ano que os renda fixa índices engasgam. Na semana encerrada no dia 25 de maio, por exemplo, haviam registrado a maior queda semanal do ano (1,87%).
Com a Selic em um patamar historicamente baixo, os retornos extraordinários dos renda fixa índices parecem ter ficado para trás. O movimento brusco dos primeiros dias de junho foi pontual, segundo Sandra. "Uma queda desse tamanho foi temporária, porque a taxa de juros ainda deve cair mais", afirma.
Já nesta semana os analistas voltaram a esperar uma queda mais expressiva da Selic, para menos de 8%, seja por conta do contágio da crise internacional, seja pelos últimos sinais do Banco Central, seja pelos indícios de que a inflação está sob controle. Os títulos carregados pelos fundos, prefixados com taxas mais altas, devem voltar a ganhar valor, considera Sandra.
Por ora, as oscilações semanais das cotas não empanam a categoria, que, em 2012, ainda brilha. No acumulado do ano, até o dia 8, os renda fixa índices exibem o melhor desempenho entre todas as categorias, com rentabilidade de 9,68%, mais do que o dobro da variação do CDI em igual período (4,09%). Em resumo, esses fundos estão mais do que compensando a oscilação de curto prazo no valor das cotas com ganhos elevados em períodos mais longos.
Os multimercados macro, que vinham, como os renda fixa índices, tirando uma lasquinha do sobe e desce nas expectativas sobre o corte da Selic, também foram pegos no contrapé no início de junho, com perdas médias de 0,17%. Ironia de tempos incomuns no mercado financeiro, os multimercados, sempre vistos como mais arriscados, não mostram oscilações tão abruptas quanto a dos renda fixa índices, que carregam no próprio nome a ideia (falsa) de segurança e previsibilidade. No mês até o dia 8, nenhuma das oito modalidades de fundos multimercados acompanhadas pela Anbima, incluindo os "long and short", conseguiu bater o CDI.

.

.