Freixo lança-se com apelo por 'primavera carioca'



Gustavo Stephan/Agência O Globo / Gustavo Stephan/Agência O Globo
Marcelo Freixo tem campanha comparada à de Lula em 1989: "Juventude está indignada e vê na nossa candidatura uma luz, um espaço de esperança"
Com pouco tempo de TV, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) lançou na tarde de ontem sua candidatura à Prefeitura do Rio de Janeiro esperando uma "primavera carioca" entre eleitores da cidade, referindo-se às revoltas no mundo árabe, que contaram com a participação da juventude e o uso das mídias sociais.
O deputado ganhou o apoio de diversos artistas, entre eles o ator Wagner Moura (o Capitão Nascimento do filme 'Tropa de Elite'), que foi à convenção do PSOL na Câmara Municipal do Rio, e os cantores e compositores Caetano Veloso e Chico Buarque. O candidato a vice na chapa é o músico Marcelo Yuka, ex-baterista da banda 'O Rappa'.
Ameaçado de morte por milícias do Estado, Freixo afirmou que fará campanha na zona oeste da cidade, área na qual se concentram essas quadrilhas. Segundo ele, a falta de segurança não deve ser tratada como um problema particular, mas público.
"Não vou fazer disso uma guerra particular. A milícia não é um problema meu. É um problema do Rio. Porque se tem um candidato a prefeito nessa cidade que não pode ir para alguns lugares porque criminosos dominam, vamos combinar que esse é um problema do Rio de Janeiro. Isso deve ser tratado como um problema público, de todos, e não um problema exclusivo meu. Cabe ao Estado garantir que a campanha de todos os candidatos possa ser feita em todos os lugares", disse Freixo.
O candidato afirmou que vai lembrar na campanha a aliança do prefeito Eduardo Paes (PMDB), que tentará a reeleição, com o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), em crise política desde a divulgação de fotos ao lado de empresários em Paris. Mas disse que seu foco será a cidade.
Ele ironizou o lema da campanha de Paes em 2008 e de Cabral em 2010 - a aliança entre governos federal, estadual e municipal: "Daqui a dois anos, o governo federal vai estar em pé de guerra com o PMDB por causa da eleição do governo do Estado, onde o PMDB vai ter um candidato e o PT, outro. Se alguém acha uma boa relação importante, deve votar na gente."
O PT deve lançar em 2014 o senador Lindbergh Farias ao governo do Rio e o PMDB, o vice de Sérgio Cabral, Luiz Fernando de Souza, o Pezão.
O programa de TV do PSOL contará com apoio do cineasta José Padilha - diretor de "Tropa de Elite". O partido, porém, terá apenas um minuto. Freixo diz que aposta na militância e na campanha pela internet para ganhar visibilidade. "A primavera árabe mexeu com toda estrutura de poder no mundo árabe e teve uma influência muito grande das redes sociais. Essa primavera carioca pode ser com a participação da juventude que está muito indignada e consegue ver na nossa candidatura uma luz, um espaço de esperança e participação", disse.
Símbolo do que chama de "aliança com a sociedade civil", a presença maciça de artistas foi comparada à campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 1989. "É um movimento que não se vê na política brasileira desde 1989 na eleição de Lula. Ou seja, em que a intelectualidade se engaja numa causa, num ideal, num nome e projeto político da cidade do Rio", disse o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP).
Freixo atacou a política de saúde e transporte da gestão de Eduardo Paes. Disse ainda que o município se omite na segurança pública, principal área em que atua em seu mandato como deputado. "O debate da segurança pública não é um debate estadual. A polícia é estadual. Mas uma sociedade segura não depende só da polícia. O papel da prefeitura é essencial. A prefeitura tem que disputar território. Quero brigar pela vida de cada menino do Rio que estamos perdendo para o tráfico e para a milícia. Isso cabe à prefeitura, não só à polícia", disse, em discurso na convenção.

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