Em ambiente de discórdia, Abilio passa poder ao Casino



O Pão de Açúcar, maior rede varejista do país, cumpre hoje, às 14h, o destino que começou a ser traçado em 2005, quando Abilio Diniz buscou recursos no grupo francês Casino e aceitou os termos de um contrato que o força hoje a entregar o controle da rede de supermercados. A troca de bastão se dá ao lado de onde tudo começou: a sede social do grupo na capital paulista é vizinha da loja número 1, onde ficava a doceria criada por Valentim dos Santos Diniz, em 1948. Abilio passa a ser apenas um sócio relevante, com a presidência do Conselho de Administração.
O Casino assumirá a maioria do capital votante do Pão de Açúcar desembolsando apenas US$ 10,5 milhões, depois de ter socorrido o grupo por duas vezes frente a dificuldades financeiras, em 1999 e 2005, quando o atual acordo foi selado e o grupo francês entrou no grupo de controle, pagando US$ 900 milhões.

A empresa ainda enfrenta discussões societárias com a família Klein, arrependida de ter vendido a Casas Bahia, e com Lily Safra, antiga controladora do Ponto Frio. Essas aquisições multiplicaram por dois o tamanho do Pão de Açúcar e aumentaram a frustração de Abilio em ter de deixar o negócio.A transição do comando em uma companhia avaliada em R$ 19,2 bilhões e com receita líquida de R$ 46,6 bilhões ocorre em um ambiente conflagrado. Desde que Abilio desenhou um projeto de compra do Carrefour que o colocaria, por meio de nova estrutura societária, em pé de igualdade de poderes com o Casino, o clima azedou. Até hoje há arbitragem internacional a respeito da disputa.
Abilio disse estar "surpreendentemente ótimo" na véspera de entregar o comando da companhia. A tranquilidade do empresário, porém, não é promessa de convivência pacífica. "Vou cumprir o combinado. Não vou mudar na segunda-feira. Mas também não quer dizer que eu não vá fazer nada. Tudo depende de como o Casino vai se comportar", afirmou.
O mercado começa a ficar inseguro a respeito do futuro, sem saber o que esperar da convivência forçada dos sócios, pela falta de um acordo para a separação definitiva. Ontem, as ações caíram 3,8%.
A assembleia de acionistas desta tarde, na qual o grupo francês assume a maioria das vagas no Conselho de Administração do Pão de Açúcar - 8 das 15 - também marca a transferência da liderança do setor varejista para as mãos de estrangeiros. Juntos, os franceses Casino, Carrefour e a americana Walmart concentram quase metade do negócio de supermercados no Brasil.

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