Bancos são castigados após intervenção no Cruzeiro do Sul



A principal preocupação é com os médios bancos especializados em crédito consignado, que vinham perdendo participação com fuga de investidores

 

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Hebe protagonizou campanha do Cruzeiro do Sul em março de 2011
Propaganda do banco Cruzeiro do Sul com Hebe Camargo: os custos de captação no mercado externo subiram para os bancos pequenos e caíram para os grandes
São Paulo - A intervenção no Banco Cruzeiro do Sul SA está afastando os investidores dos bancos médios brasileiros com os receios de que os balanços dessas instituições não sejam confiáveis.
As ações dos bancos com valor de mercado entre R$ 1 bilhão e R$ 5 bilhões, entre eles o Cruzeiro do Sul, caíram em média 8,4 por cento desde o dia 4 de junho, quando o Banco Central disse que encontrou “insubsistência em itens do ativo” e assumiu o controle do banco. Os cinco maiores bancos subiram em média 1,1 por cento no mesmo período. Os custos de captação no mercado externo subiram para os bancos pequenos e caíram para os grandes.
“Neste momento, não podemos confiar nos balanços dos bancos médios brasileiros”, disse Chris Wilder, que ajuda administrar cerca de US$ 40 bilhões em ativos de mercados emergentes na Stone Harbor Investment Partners em Londres, incluindo títulos do Cruzeiro do Sul, em entrevista por telefone.
A principal preocupação é com os médios bancos especializados em crédito consignado, que vinham perdendo participação de mercado mesmo antes da intervenção do BC no Cruzeiro do Sul. Apesar de manter sua fatia em torno de 16 por cento, o Banco BMG SA perdeu a liderança do consignado para o Banco Bradesco SA.
Clive Botelho, diretor executivo financeiro do BMG, disse que a instituição financeira não tem dificuldade de captação no mercado interno, inclusive junto a grandes bancos brasileiros. Ele acha que o setor passa por uma “depuração saudável” com os bancos de gestão “problemática” saindo do mercado.
O Banco Bonsucesso SA disse, em comunicado por e-mail, que tem 1,5 milhão de clientes e priorizou operações com maior rentabilidade, como o cartão de crédito consignado, que cresceu 87 por cento em 2011 com relação a 2010.
O Cruzeiro do Sul e o BC se negaram a fazer comentários.

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