Vender agora para recomprar mais tarde



No período entre 2 de janeiro de 2008 e 15 de maio de 2012 o Ibovespa acumulou queda de 10,5%. Foi um período de muita oscilação e que decepcionou a maioria dos investidores que compraram ações.
Em seu pior momento, no fim de outubro de 2008, os efeitos da crise internacional fizeram com que o índice da bolsa paulista acumulasse queda de 53%. Dois anos mais tarde, em 2010, depois de muito sobe e desce, o índice voltou a registrar alta, de 14,4%.
Depois o índice voltou para o território negativo, subiu novamente e, mais recentemente, com o agravamento da crise da união europeia, cai cerca de 10% em relação a janeiro de 2008. O gráfico abaixo mostra a evolução acumulada do Ibovespa no período.
Devido à oscilação do mercado e a percepção de que o ambiente mundial não é favorável para as cotações das ações, alguns investidores decidiram ganhar dinheiro alugando papéis para vender a descoberto. A estratégia é aproveitar a tendência de baixa dos preços, vendendo ações que não possuem para recomprar os papéis, com cotações menores, um pouco mais à frente.
Reportagem de Karla Spotorno, do Valor, mostra exemplos de investidores que têm lucrado com a queda do preço das ações. Para eles, quanto pior for o desempenho da bolsa, maiores serão os ganhos.
O cuidado a tomar é com o risco de não conseguir zerar as posições no momento certo. Se em vez de caírem, as ações que foram alugadas e logo em seguida vendidas, subirem de preço, o investidor pode ter perdas significativas.
O mercado de ações possui certa assimetria. No longo prazo os ganhos acumulados são mais frequentes, enquanto as perdas, apesar de relativamente mais raras, são geralmente maiores. A simulação a seguir ilustra esse ponto.
Suponha que, no período entre janeiro de 2008 e maio de 2012, um investidor adotasse a estratégia de, diariamente, investir R$ 100 em uma carteira de ações que representasse o índice Bovespa, sempre pelo período de 21 dias úteis. Se ele avaliasse os resultados em 15 de maio de 2012, constataria que, em 43% das vezes, o retorno do investimento teria ficado na faixa entre R$ 96 e R$ 104.
O ganho ficaria entre R$ 104 e R$ 112 em 25% das vezes, mais comuns do que resultados na faixa que vai de R$ 88 a R$ 96. A frequência de resultados nessa faixa foi de 21%. Ganhos entre R$ 112 a R$ 120 ocorreriam 6% das vezes, comparativamente à frequência de 3% para o resultado entre R$ 80 a R$ 88.
Mais raros foram os ganhos na faixa entre R$ 120 e R$ 128, que aconteceriam em apenas 1% das vezes. Em nenhum período o ganho seria superior a R$ 128. Em contrapartida, prejuízos com resultados na faixa entre R$ 72 e R$ 80 ocorreriam 1% das vezes, a mesma frequência de valores finais abaixo de R$ 72.
O gráfico abaixo mostra essa distribuição de frequências para a simulação da estratégia de investimento.
Portanto, fundamental para o sucesso da estratégia de tomar ações emprestadas no mercado para vender a descoberto é ter a disciplina de manter limites rígidos para zerar as posições, tanto embolsando os lucros quanto travando as perdas.
E ter sempre em mente que, devido à tendência da maior frequência de ganhos do mercado acionário, pode demorar até que ocorra uma queda suficientemente grande para que a operação se torne lucrativa.

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