Tensão lá fora, expectativa aqui dentro A


ata do Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve, o  crescimento econômico na zona do euro, o relatório de inflação do Banco da Inglaterra, a posse do presidente eleito da França François Hollande e o seu encontro com a chanceler da Alemanha Angela Merkel devem pautar o rumo dos mercados nesta semana e o foco estará na possibilidade de novas ações de afrouxamento monetário tanto nos Estados Unidos quanto na Europa. Essas ações, se confirmadas, vão mexer com ativos financeiros no mundo inteiro. Por aqui, o mercado dificilmente será poupado, mas a agenda brasileira tem suas particularidades. E, apesar da modesta divulgação de indicadores, o Ministério da Fazenda e o Banco Central (BC) devem encarar duras tarefas.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, deve explicar aos senadores da Comissão de Assuntos Econômicos as mudanças feitas pelo governo na remuneração da caderneta de poupança anunciada no início do mês. De quebra, parlamentares prometem afiar o discurso para cobrar do ministro explicações também para a ruidosa batalha travada entre governo e bancos privados em torno da redução do spread bancário. O corte de juros cobrados no crédito pelos bancos públicos certamente será contemplado na fala do ministro.
Ao Banco Central caberá conquistar parceiros para que a voz do governo não ressoe mais alto que a sua. Equivocada ou não, a percepção de que o governo colocou a redução da taxa básica de juro no topo das prioridades impõe um risco considerável ao sistema financeiro. E ao governo.  

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