Quanto pagar de taxa de administração


Os correntistas dos grandes bancos vêm encontrando dificuldades para investir em fundos conservadores, das categorias DI ou renda fixa, com taxas de administração compatíveis com o novo cenário de juros básicos da economia brasileira. Mesmo pagando tarifas bancárias para a manutenção da conta corrente.

A Anbima, a associação que representa as instituições financeiras, faz um acompanhamento sistemático das taxas cobradas pelos fundos de investimento oferecidos no varejo. No último relatório, em março, informava que, do montante total de R$ 58 bilhões investido nas carteiras conservadoras que aceitam aplicações de até R$ 25 mil, apenas 8% estavam alocados em fundos com custo de até 1% ao ano.
Significa que a grande maioria dos correntistas que possui poucos recursos para investir é direcionada para carteiras com taxas mais elevadas e, consequentemente, menores rendimentos.
No longo prazo, o impacto sobre o montante acumulado é grande. Com a redução da Selic para 9% ao ano, os fundos das categorias DI e renda fixa com taxa de administração anual superior a 1% acabam consumindo parcela superior a 10% da rentabilidade bruta do aplicador.
É muito custo para pouco serviço. Considere uma situação similar, em que o dono de um restaurante popular decidisse cobrar taxa de serviço superior ao padrão de 10% sobre o valor consumido. Seria difícil encontrar justificativas e, como consequência, a perda de clientes seria certa.
Uma das explicações para a existência de fundos caros que reúnem aplicações de muitos cotistas é a pouca competição entre os bancos de varejo. É comum encontrar condições de aplicação, resgate, custos e rentabilidade das carteiras muito semelhantes.
Nesse ponto, os gestores contam, ainda que de forma involuntária, com a ajuda do governo. Devido aos tributos, antes de resolver migrar de um fundo caro para outro mais barato, o investidor precisa fazer contas complexas.
A regra do Imposto de Renda sobre os rendimentos das aplicações financeiras foi elaborada em uma época em que a preocupação era a de incentivar o alongamento dos prazos dos investimentos. Quem permanece por mais tempo com os recursos na mesma aplicação tem a vantagem de pagar menos imposto. As alíquotas variam de 22,5% para aplicações de até 180 dias a 15% para investimentos acima de 720 dias.
Atualmente, o ambiente dos investimentos mudou e as aplicações de longo prazo são encaradas como uma forma de conseguir ganhos adicionais, mesmo correndo mais riscos. O benefício fiscal perdeu a importância.
O principal efeito da legislação tributária, então, passou a ser dificultar a mobilidade do investidor. O que é bom para os maiores administradores de recursos.
Sacar de um fundo com taxa de administração meio ponto percentual menor compensa apenas se os recursos permanecerem aplicados por mais de seis meses na nova carteira. Na dúvida, muitos investidores decidem pela inércia.
Não é o caso dos grandes aplicadores, que geralmente possuem mais acesso a informações e são mais frequentemente assediados.
A consequência é que todos os fundos das categorias DI e renda fixa oferecidos no varejo e que possuem aplicação mínima acima de R$ 200 mil têm taxa de administração de, no máximo, 1% ao ano. O que é uma exceção para os pequenos é a regra para os grandes investidores.
Com a reorganização das operações bancárias motivada pela queda dos juros, as instituições financeiras estão reduzindo o montante mínimo para a aplicação inicial nos fundos de investimento. Por enquanto, as mudanças são lentas e muito específicas. Mas, se o governo efetivamente agir, simplificando as regras de tributação, talvez os bancos passem a enfrentar uma competição mais acirrada que forçará a redução das taxas de administração.
De maneira semelhante aos demais serviços, a taxa de administração dos fundos conservadores deveria ser equivalente a, no máximo, 10% do valor da remuneração bruta.

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