Preferência nacional



O governo anunciou no início do mês um gatilho para a caderneta de poupança, atrelando seu rendimento à Selic quando essa taxa cair a 8,50% ou menos. A ideia é evitar que a poupança tenha atratividade muito maior que outros investimentos em renda fixa. Mas a caderneta é o cofrinho dos brasileiros há tempos. E para uma importante parcela, é mais que isso. A alternativa mais popular de aplicação financeira do país representa um vínculo de confiança com o sistema bancário. Essa avaliação explícita no levantamento do Instituto de Pesquisas Fractal sobre hábitos dos investidores é emblemática a respeito do poder dos bancos – ativo precioso para as instituições neste momento em que o setor sofre pressões do governo para reduzir os juros cobrados nas operações de crédito.
No segundo semestre do ano passado, o Instituto Fractal entrevistou mais de 13 mil pessoas com renda entre R$ 800 e R$ 4 mil e quase a metade afirmou optar por aplicações na poupança por falta de conhecimento financeiro e insegurança na hora de escolher seus investimentos. Os brasileiros com renda individual mais baixa associaram a poupança à capacidade dos bancos de oferecerem aplicações adequadas à necessidade de cada indivíduo, além do fato de disporem de profissionais especializados nas agências.
Quase 84% dos entrevistados confessaram simpatia pelo sistema bancário por apresentar solidez nas negociações; 58,6% têm preferência por remunerar recursos que ficariam parados na conta corrente até o momento de seu uso e 48% são adeptos à caderneta por vincularem a aplicação ao envio de extratos completos de suas operações pelos bancos.
A cruzada do governo a favor do juro baixo pode incentivar clientes a mudar de instituição em busca de operações mais atraentes (leia-se crédito mais barato e aplicações melhor remuneradas), mas os bancos não perdem o cartaz. Isso vale também para a caderneta de poupança que mesmo após o anúncio da nova regra de remuneração continua a atrair os aplicadores.
No início de maio, até o dia 8, a captação líquida da caderneta de poupança – depósitos menos retiradas – alcançou R$ 4,05 bilhões. Dados do Banco Central mostram que a maior parte da entrada líquida de recursos aconteceu após a alteração no cálculo do rendimento quando a taxa Selic tocar 8,5%.

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