“Parcimônia” – a desconhecida


Em meio à discussão sobre o tamanho da “parcimônia” reincorporada ao discurso do Banco Central e que deve temperar a decisão que o Copom  tomará hoje a respeito do juro básico brasileiro, dois alertas caem bem. Primeiro, a “parcimônia” pode significar corte de 0,25 ponto percentual porque o BC precisa ganhar tempo e alongar o ciclo de alívio monetário para ver o que acontece mais adiante. Segundo, a “parcimônia” também pode garantir corte de 0,50 ponto agora e levar a Selic a uma queda maior à frente, chegando ao patamar de 7,5% no fim do ano.

A economista-chefe da Icap Brasil, Inês Filipa, alerta para o primeiro ponto. A economista Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria, para o segundo. Em conversa com o blog, Inês explica que neste momento há muitas incertezas e riscos provenientes da crise europeia que estarão em desenvolvimento em junho. E pondera para a necessidade de se considerar que o BC não tem a intenção de parar de cortar os juros, mas precisa alongar o ajuste, para que numa eventual piora do cenário - como a saída da Grécia da zona do euro e seus efeitos globais -, esteja apto ainda a alterar os juros e de forma mais agressiva se necessário, podendo levar a Selic a 7% ao ano.
Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria, diminuiu as projeções de olho no futuro, para 7,5% ao final de 2012 e 9,5% para 2013, focando a piora do cenário internacional, ainda que a avaliação básica da consultoria não contemple a Grécia abandonando o euro. Ela explica que contribuíram para a revisão das projeções mais longas indicadores que já mostram atividade econômica fraca também no segundo trimestre. E mais: “Por que o BC não traria o juro mais para baixo como forma de incentivar a economia? Além disso, é fato que o BC trabalha com modelos de múltiplos equilíbrios. Levar o país a praticar um juro em patamar menor é promover um equilíbrio melhor. E isso deve ser considerado”, conclui.

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