Limites do progresso


Avanços macroeconômicos podem e devem ocorrer no governo Dilma, mas uma nova agenda só se impõe com o apoio do Congresso. A reunião do Conselho Político nesta quinta-feira tende a oxigenar as relações entre a presidente e o Parlamento. Mas o encontro não chega a inspirar confiança na possibilidade de Dilma retomar uma agenda positiva.

“A presidente tem uma enorme base, mas que cobra caro, muito caro, pelo seu apoio. Nesse sentido, a CPI do Cachoeira pode ser um importante freio de arrumação. Pode permitir à presidente sair do impasse programático onde se encontra. Mas não se deve descartar a conciliação com a base parlamentar e o adiamento da discussão programática para 2014 ou 2015”, avalia Carlos Melo, professor do Insper.
Para esse analista político, o governo emperra ao preconizar o crescimento econômico sem produzir resultados relevantes. “Os resultados estão aquém do desejável, quando vemos a inflação longe do centro da meta, atividade morna e o mercado de trabalho criando menos vagas do que o esperado. Mesmo a inadimplência, que não se configura como um problema macroeconômico, tem mostrado piora.”
O professor do Insper lembra que o governo FHC trouxe estabilidade monetária, privatizou e modernizou o Estado. “O governo Lula deu continuidade às reformas de Fernando Henrique e deu um salto importante nas políticas públicas. Temos, portanto, 16 anos de resultados positivos. E a presidente Dilma? O governo não pode esquecer que quando se distribui renda, a sociedade quer mais renda. A ascensão social é uma conquista preciosa, mas que depende do desenvolvimento econômico. A equação que espera resposta do governo Dilma é fazer mais desenvolvimento sem inflação”, conclui Melo.

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