Geração Y: um desafio para a retenção de talentos


Globo on line

Empresas devem investir em bom ambiente, oportunidades de desenvolvimento e coaching


RIO - A inquietude e a sanha por mudanças frequentes da geração Y resultam numa questão importante para as empresas: a retenção de talentos. Afinal, como manter satisfeitos jovens tão dinâmicos e cheios de vontade de crescer rápido?
Embora não haja uma resposta ideal, consultores apontam o coaching — tanto dos Y quanto das gerações X (que está na faixa dos 40 anos) e a dos baby boomers (na faixa dos 50, 60 anos) — como um caminho para levar harmonia e produtividade às empresas.
Programas como job rotations, para que os profissionais sintam-se desafiados a conhecer e aprender a trabalhar em outras áreas da empresa, são uma boa saída, diz Eliana Dutra, especialista em desenvolvimento organizacional. Por outro lado, acrescenta, os jovens devem buscar ter foco.
— Eles fazem mil coisas ao mesmo tempo, mas falta foco — afirma. — Trocam muito não só de empresa, mas de função, o que dificulta a especialização e a consolidação da carreira.
Já as empresas, alerta, devem promover chances para os jovens colaborarem e influenciarem nas decisões.
Dirigentes precisam de coaching para reter os "Y"
É de coaching que os dirigentes precisam, diz José Augusto Figueiredo, para que retenham esses profissionais.
— Quem tem mais experiência é que deve ampliar a compreensão do que é diferente, ou seja, dos Y — defende. — Companhias centralizadoras e com forte hierarquia têm maior dificuldade de retê-los.
Precoce e disposto a querer tudo-ao-mesmo-tempo-agora, o publicitário João Leitão, de 27 anos, difere de sua geração num ponto: ele é focado. Não é à toa que abriu, aos 16 anos, sua empresa, a Addict, que hoje integra o grupo Sacada/Oh Boy!.
— Minha geração é movida a desafios. Nossa moeda de troca é a motivação — conta. — Por isso, invisto num ambiente agradável, com espírito de equipe e espaço para novos projetos e desafios.
É justamente para buscar motivação e novidade que a assistente de RH Carolina Bicker, de 25 anos, já passou por quatro companhias, em sua curta trajetória profissional:
— Estou sempre procurando algo melhor. O pessoal da minha idade não tem medo de arriscar, de não conseguir.
Foi arriscando que o paulistano Marcos Ferreira, de 27 anos, passou a trabalhar exatamente na área onde queria. Hoje na área comercial de um site de design, ele chegou a trocar de emprego três vezes em um ano. Em sete anos, acumulou cinco empresas no currículo. Tudo em busca de ascensão:
— Fui recebendo propostas e aceitando. Sou ansioso, busco crescimento rápido. Até porque produzo e entrego rápido.
 
Recompensas devem ser ligadas a desenvolvimento
Reconhecimento do trabalho é a prioridade da geração Y, afirma a coach Ylana Miller, sócia da Yluminarh Desenvolvimento Profissional:
— Buscar reconhecimento é bom, mas o ideal é associar isso não a recompensas financeiras, mas a valores de desenvolvimento, como aprendizado, relacionamento com a liderança e assumir responsabilidades.
Tanto a administradora Micheli Gargalhone, de 30 anos, quanto o designer Thiago Garcia, de 23, buscam isso.
— Aprender sempre me motiva e me ajuda a estimular os outros — diz Micheli.

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