Ganhos de capital menores no Tesouro Direto



A principal razão para a rentabilidade excepcional dos títulos públicos negociados no Tesouro Direto no período recente foi o ganho de capital decorrente dos ajustes provocados pela queda das taxas de juros no país.
No entanto é preciso cautela ao projetar lucros futuros, pois é muito difícil que o cenário tão favorável para o rendimento dos papéis torne a acontecer.
A NTNB Principal com vencimento em 2015, por exemplo, rendeu 23,13% nos 12 meses contados a partir do dia 15 de maio do ano passado. Para entender melhor o desempenho do título, é conveniente destacar a contribuição de cada um dos componentes: juros, inflação e ganho de capital.
A soma da taxa de juros do papel, que era de 6,56% ao ano no início do período, com a inflação acumulada no intervalo considerado – de 5,10% – foi de 11,66%. A diferença para completar a rentabilidade final da aplicação – de 23,11% – é o ganho de capital.
Esse lucro adicional, de aproximadamente 11% e que praticamente dobrou o ganho com juros e correção, foi decorrente do ajuste do valor de mercado da aplicação. Ganhos de capital desse tamanho em títulos de renda fixa não são comuns.
O gráfico abaixo compara a rentabilidade desta NTNB Principal específica em períodos de 12 meses encerrados no dia 15 de maio dos anos de 2009 a 2012. Cada barra indicando o retorno do título foi dividida de maneira a destacar o percentual de contribuição dos juros, da inflação e do ganho de capital, em cada período.
Em 2009 e 2010 o rendimento foi de 15,26% e 14,85%, respectivamente. Nos dois períodos o ganho de capital representou cerca de 15% da rentabilidade total e a maior parte dos lucros ocorreu em função dos juros e da correção pela inflação. Em 2011, para uma rentabilidade de 14,30%, a parcela do ganho de capital caiu para 7%, o que aumentou a participação relativa dos demais componentes.
Em 2012 a rentabilidade foi extraordinária e a parcela do ganho de capital do papel disparou para 49% do total, enquanto que a participação de juros e inflação caiu para 29% e 22%, respectivamente.
Apesar de o preço dos papéis de renda fixa oscilar em função das condições de mercado, variações tão intensas como as verificadas nos últimos 12 meses não são frequentes.
A queda acentuada das taxas de juros da economia brasileira beneficiou, particularmente, os papéis com vencimento de longo prazo. Quem comprou a NTNB Principal com rendimento maior há um ano encontra, agora, compradores para o título a um preço superior ao que seria se o valor original fosse corrigido pela inflação mais os juros no período.
Isso porque, atualmente, devido a mudanças nas condições de mercado, os novos aplicadores na NTNB Principal aceitam receber remuneração equivalente à inflação mais juros de 3,25% ao ano, inferiores aos 6,56% ao ano de um ano atrás. Os detentores de títulos comprados anteriormente conseguem, agora, novos compradores por um preço acima do que desembolsaram.
Daqui para frente, a tendência é que a representatividade das parcelas do rendimento provenientes de juros e correção pela inflação volte a crescer, ficando em linha com o que eram historicamente. Como consequência, o ganho de capital deve diminuir.
Além disso, existe o risco de uma eventual alta dos juros provocar impacto negativo no valor de mercado do título. Pode ocorrer um efeito inverso ao dos últimos 12 meses sobre a rentabilidade final do papel.
Apesar de ainda ser um bom investimento, é praticamente certo que os fatores que impactaram positivamente a rentabilidade dos títulos públicos de longo prazo não voltarão a acontecer. É importante, então, ajustar as expectativas para ganhos mais baixos no futuro.

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