Eike: ‘Tenho alguma coisa com a natureza. Onde eu furo eu acho’


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Empresário diz que Gabrielli e Agnelli ficaram por sete anos ‘buzinando no ouvido’ de Dilma e Lula que ele não iria produzir ‘uma grama de minério nem uma gota de petróleo’



No encerramento do Rio Investors Day, Eike desfilou humor e provocações
Foto: Divulgação / Agência O Globo
No encerramento do Rio Investors Day, Eike desfilou humor e provocaçõesDIVULGAÇÃO / AGÊNCIA O GLOBO
RIO — O empresário Eike Batista encerrou, nesta terça-feira, o Rio Investors Day, evento realizado no Copacabana Palace, com a apresentação de seu grupo EBX para uma plateia de cerca de cem investidores e analistas do mercado de capitais. Em quase uma hora de apresentação, Eike desfilou humor, provocações, falou de sua vida pessoal e fez o que melhor sabe: vender as empresas de seu grupo para grandes investidores, mostrando porque conseguiu levantar bilhões no mercado de capitais nos últimos anos.
— Tenho alguma coisa com a natureza, porque onde eu furo eu acho — disse Eike, após apresentação de um vídeo institucional sobre o começo da produção de petróleo da OGX, uma de suas empresas.
— Meus projetos são à prova de idiotas. Não são puxadinhos. São projetos para o Brasil — complementou.
Ao comentar a cooperação de seu grupo com outras companhias brasileiras, como Petrobras e Vale, Eike destilou provocações para os ex-presidentes das duas empresas, José Sérgio Gabrielli e Roger Agnelli, respectivamente.
— Roger me via como inimigo número um. O Gabrielli me via como inimigo número um. Isso tudo acabou. Não existe mais. Existe um respeito mútuo. Fiquei sete anos com esses dois buzinando no ouvido da presidente Dilma e do presidente Lula dizendo que eu não ia produzir um grama de minério e nem uma gota de petróleo. Eu ainda estou aqui. Não sei dizer dos outros dois — afirmou Eike, arrancando risadas da plateia de investidores.
Perguntando pelo moderador porque não compra a Vale, cujas ações são consideradas atualmente "baratas" na Bolsa, ele disse que "a companhia tem outra estrutura, que não estou muito acostumado (...) Eu ficaria atolado numa burocracia que não estou acostumado e não conseguiria voar", garantiu o empresário.
Eike acrescentou que apenas não comprou a Vale, em 1997, porque seu pai, Eliezer Batista, ex-presidente da mineradora, não deixou. Segundo Eike, ele já era bilionário, embora conhecido apenas como "o marido da Luma, o que fui com muito orgulho".
— Eu tinha mais dinheiro que o Benjamin (Steinbruch, presidente da CSN) para comprar. Mas meu pai não deixou. Ele falou ‘nã na ni na não’, aí você não toca — disse o bilionário brasileiro.
Sobre as frequentes queixas do mercado de que suas empresas são pré-operacionais e que demoram para serem rentáveis e distribuir lucro aos investidores, Eike disse que o mercado quer retorno "amanhã... nhã nhã nhã", levantando risadas, mas que o "Facebook levou oito anos."
— O mercado tem que avaliar os ativos que tenho nas companhias. A EBX não tem 250 mil currículos de gente querendo emprego a troco de nada — acrescentou Eike.
Eike acrescentou que a holding EBX — que controla suas empresas, como a OGX (petróleo), MMX (mineração), MPX (Energia), LLX (logística), OSX (estaleiros) etc. — tem R$ 8 bilhões em caixa para atender à demanda por investimentos de suas companhias. O homem mais rico do Brasil sinalizou ainda que pode fazer uma nova abertura de capital nos próximos meses, da companhia AUX, cujos relatórios de depósitos de ouro deve ficar pronto em agosto.
O empresário disse que o avanço do dólar trouxe um efeito positivo imediato de "25% nos negócios na veia", já que suas empresas tem receita em moeda americana. E comentando o impasse política na Grécia e a crise na Europa, afirmou que os "políticos adoram ir até o abismo, mas não caem", disse Eike, para quem os "gregos são malucos e os alemães são malucos", lembrando em seguida, em tom de brincadeira, que tem origens alemães.
— Se Deus quiser, os alemães vão deixar a economia crescer ao mesmo tempo em que pagam as conta.
Segundo Eike, os investidores estrangeiros veem o Brasil como uma fazenda. Ele afirmou que os conselheiros da Mercedes-Benz não vêm ao Brasil há mais de dez anos e que, por isso, só vendem caminhão no país.


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