Crise tende a retardar recuperação para 2013


O agravamento da crise na zona do euro, com risco de colapso no sistema bancário da Grécia, e a desaceleração na China devem prejudicar a retomada do crescimento no segundo semestre. O desempenho da economia no primeiro trimestre foi muito pior que o esperado e indicadores antecedentes sinalizam que não houve reação em abril nem está havendo em maio. A frustração da arrecadação federal - a diferença entre o valor projetado pela Receita e o efetivamente obtido - ficou entre R$ 10 bilhões e R$ 12 bilhões no primeiro quadrimestre do ano, segundo fontes do governo.

A recuperação, mesmo com a acentuada queda dos juros e os estímulos fiscais, está mais atrasada do que esperava a equipe econômica. O mercado prevê um avanço do PIB de 2,7% e mesmo o otimista ministro da Fazenda, Guido Mantega, torce para que chegue pelo menos a 3%.
Se a economia não acelerar no segundo semestre e deixar um bom "carry-over" de crescimento, 2013 será um ano ainda mais complicado. Não haverá, por exemplo, reajuste de 14% para o salário mínimo nem a consequente injeção de R$ 50 bilhões, diz um assessor da presidente Dilma.
A saída da Grécia da zona do euro deve ter efeitos tão contundentes quanto os da quebra do Lehmann Brothers, em setembro de 2008. Com ela viriam abrupta suspensão dos fluxos de capitais para os países emergentes e empoçamento de liquidez. A apreciação do dólar seria bastante forte. A desvalorização do real, que o governo comemora, pode ser neutralizada pela queda nos preços das commodities, com impacto negativo no ritmo das atividades econômicas, mas sem grande efeito baixista sobre a inflação.
A persistência das projeções do mercado de 5,5% para o IPCA em 2013 preocupa as autoridades monetárias tanto quanto a aposta unidirecional em fortes cortes da taxa Selic para menos de 8% pelas tesourarias, como se o Banco Central tivesse abandonado o regime de metas. Em ambiente muito volátil, a política monetária segue guiada pela ata do Copom, em que se destaca a palavra repetida pelo diretor de política econômica, Carlos Hamilton Araújo, em seminário no Rio na sexta-feira: "Parcimônia".

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