Comprado em inflação


Ao surpreender o mercado financeiro cortando a taxa básica de juro em 0,50 ponto percentual em 31 de agosto de 2011 sem qualquer sinalização prévia, o Banco Central deu início a um “bull market” político no Brasil. De lá para cá, o que se vê é uma ação concertada do governo brasileiro no sentido de reduzir os juros, desvalorizar o câmbio, dar incentivos a determinados setores industriais ao mesmo tempo em que força setores vistos como “ganhadores” a aumentarem seus investimentos e pregar a redução do spread bancário.

A equipe de gestão do Fundo Verde, do Credit Suisse Hedging-Griffo, chefiada por Luis Stuhlberger, reconhece que não cabe a ela julgar se tal resposta política é melhor ou pior. “Não somos formuladores de política econômica, nosso dever fiduciário é preservar o patrimônio dos clientes. A evidência histórica mostra que os mercados acionários passam por quedas estruturais dos múltiplos em períodos de ‘bull market in politics’, e essa é uma das razões por que mantemos uma posição menor neste mercado”, afirma o relatório da instituição.
Num mercado com essas características, pondera a equipe de Stuhlberger, haverá ganhadores e perdedores. Os ganhadores serão certos setores industriais. Os perdedores, bancos e setores cíclicos com baixo retorno marginal sobre o capital.
“Ao mesmo tempo, a história brasileira tem um viés inflacionário e as decisões atuais parecem reforçar tal viés, por isso estamos comprados em inflação implícita. E, no câmbio, continuamos comprados em dólar.”
Em tempo: a equipe do Credit Suisse Hedging-Griffo cita um personagem do mercado americano chamado Jim Cramer que tem como mantra “há sempre algum mercado em tendência de alta”. Abril de 2012 fica marcado, na visão dos gestores do Fundo Verde, como o mês em que foi identificado um novo ‘bull market’ no Brasil – o ‘bull Market in politics’.

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