Alto risco


Com parcimônia ou sem, o sentido da taxa básica de juro brasileira é de queda. Não há dúvida de que o governo Dilma continuará testando patamares mínimos para o custo do dinheiro. Mas esse ajuste tende a ocorrer na base do passo a passo para reduzir margens de risco que, neste momento, se impõem não só para o mercado financeiro mas também para o Banco Central (BC).

“O BC vai ter que continuar a fazer o que está fazendo: monitorar o cenário dia a dia para tomar suas decisões de política monetária. O ambiente externo vem agregando novas informações a cada dia e elas devem ser contempladas”, pondera credenciado economista com experiência dentro e fora do governo, que alerta para questões que se colocam nesta altura da tensão externa e certamente sem respostas rápidas ou fáceis.
“Está claro que a deterioração externa está acelerada e que há um inegável contágio da desconfiança com a Grécia para outras economias da Europa. Está claro também que os Estados Unidos e a China crescerão menos do que se imaginava. Portanto, a hora é de reprecificação dos ativos financeiros lá fora e aqui, o que impõe riscos. Nesse quadro, a primeira questão a ser considerada é se os bancos centrais vão optar por uma ação coordenada para dar suporte aos bancos europeus. A segunda questão é se essa ação coordenada, que parece necessária, acontecerá antes ou depois de a Grécia suspender os pagamentos de sua dívida”, avalia o economista em entrevista ao blog Casa das Caldeiras.
Intervenções dos bancos centrais para amparar os bancos europeus, que sofrem saques intensificados na semana passada, não devem ser inovadoras, calcula essa fonte. O “Quantitative Easing” deve se repetir com ações do Banco Central Europeu (BCE) que poderão estar conectadas com movimentos do Federal Reserve, o banco central americano.
Em junho, lembra a fonte, termina a “Operação Twist”, anunciada pelo Fed em setembro do ano passado, prevendo a compra de US$ 400 bilhões em títulos do governo americano com vencimentos entre 6 e 30 anos com a venda de quantidade equivalente em títulos com vencimentos mais curtos. Essa operação tem por objetivo reduzir o juro de prazo mais longo e baratear o custo de aquisição de bens de maior valor pelos consumidores.
Na década de 1960, o banco central americano apelou para a mesma operação para levantar a economia.

PARCEIROS E COLABORADORES

.