Prévia da inflação oficial acelera para 0,43% em abril, mostra IPCA-15


Por Ana Conceição | Valor

SÃO PAULO - A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) avançou para 0,43% em abril, contra 0,25% em março, informou nesta terça-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O indicador é uma prévia do IPCA, índice de inflação oficial usado para balizar as metas de inflação perseguidas pelo Banco Central (BC).
De acordo com o IBGE, os grupos habitação e despesas pessoais foram os principais responsáveis pela aceleração na taxa de inflação.
No acumulado do ano, o IPCA-15 registra inflação de 1,87%, bem abaixo do resultado apurado no mesmo período em 2011, de 3,14%.
Desaceleração
Nos últimos 12 meses encerrados em abril, o índice acumula alta de 5,25%, o que representa recuo da inflação em comparação aos 12 meses encerrados em março, quando a variação era de 5,61%. Foi o sétimo recuo consecutivo, segundo o IBGE.
Desde que atingiu 7,33% em setembro de 2011, o indicador acumulado em 12 meses passou a registrar quedas sucessivas. Em fevereiro ficou pela primeira vez abaixo de 6%, com 5,98%. Em março, registrou 5,61%.
Pressões inflacionárias
A inflação das despesas com habitação passou de 0,44% em março para 0,75% em abril, enquanto a de despesas pessoais subiu de 0,60% para 1,43%. Juntos, esses dois grupos responderam por 58% do índice no mês, com impacto de 0,25 ponto percentual; 0,14 ponto relativo às despesas pessoais e 0,11 à habitação.
Em despesas pessoais, os destaques foram cigarro (de zero para 5,56%), cujos preços foram reajustados 25% em média a partir de 6 de abril, e empregado doméstico (de 1,38% para 1,87%), o maior impacto individual no mês (0,07 ponto percentual). Cabeleireiro (de 0,23% para 1,86%) e manicure (de 0,23% para 1,29%) também pressionaram o resultado.
Em habitação, a pressão veio de aluguel residencial (de 0,45% para 0,82%), condomínio (de 0,48% para 1,01%), mão de obra para pequenos reparos (de 1,03% para 1,31%), artigos de limpeza (de 0,46% para 0,95%), água e esgoto (de 0,19% para 1,60%).
A alta nas contas de água e esgoto foi decorrente do reajuste de 11,17% em Brasília, vigente desde 1º de março, além do aumento de 16,50% ocorrido em Curitiba a partir de 21 de março.
Já a alta nos medicamentos (de 0,47% para 0,48%) se deu em razão do reajuste ocorrido a partir de 31 de março. Subiram, também no grupo saúde e cuidados pessoais (de 0,54% para 0,62%), os serviços médicos e dentários (de 0,79% para 1,30%) e os serviços laboratoriais e hospitalares (de 0,36% para 0,81%).
Comunicação passou de –0,49% para 0,24% em virtude das ligações de telefone fixo para móvel terem voltado ao valor anterior, eliminando a redução de 10,78%, concedida pela Anatel em 24 de fevereiro. Isto se deu por causa da concessão de uma liminar, em março, a uma das operadoras.
Os artigos de vestuário voltaram a subir, passando de 0,16% para 0,49%, assim como os alimentos, que foram de 0,22% para 0,31% em razão, principalmente, dos altos preços do feijão carioca (de 0,81% para 6,74%), pescados (de 1,67% para 3,73%), ovo (de 1,88% para 3,36%), óleo de soja (de 0,82% para 2,66%), refeição fora (de 0,06% para 0,67%) e leite longa vida (de –0,15% para 0,45%).
Em queda, o destaque foi o item carnes (de –1,57% para –1,59%), apresentando o mais intenso impacto para baixo: -0,04 ponto percentual.
A taxa de variação de preços dos produtos não alimentícios subiu de 0,26% para 0,47%.

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