No Tesouro Direto, maior retorno só com mais risco


Os cortes sucessivos na taxa básica de juros reduziram a tranquilidade que os investidores tinham para obter ganhos elevados, correndo poucos riscos, por meio da aplicação em títulos públicos federais.

Mais grave, pelo menos para os aplicadores, é que o movimento de queda deve continuar. Após a análise da ata da reunião do comitê de política monetária (Copom) divulgada na semana seguinte à decisão do Banco Central (BC) de reduzir a Selic para 9% ao ano, a maioria dos analistas passou a apostar que novos cortes virão.
O Tesouro Nacional confirmou as previsões dos especialistas. No leilão de títulos realizado no mesmo dia da divulgação da ata, os papéis prefixados mais curtos, com vencimento em outubro de 2012, foram vendidos na taxa máxima de 8,50% ao ano, patamar inferior à Selic.
Para os aplicadores em títulos públicos negociados no Tesouro Direto, a alternativa para ganhar mais é correr mais riscos, alongando o prazo das aplicações. No início de fevereiro, quando a Selic estava em 10,50% ao ano, era possível investir na NTN-F prefixada, com vencimento em 2017, na taxa de 11,46% ao ano.  A diferença de taxas era de 0,96 ponto percentual.
Para quem não tivesse a disposição de comprar papéis com prazo de vencimento tão longo, uma alternativa razoável poderia ser a LTN com vencimento em 2015 e taxa de 10,60% ao ano, pouco acima da Selic. Remuneração de dois dígitos garantida por três anos.
Em 26 de abril, quase três meses mais tarde, o cenário mudou radicalmente, como mostram os dois gráficos abaixo, que compara o mercado de títulos públicos nos dois momentos. Na esquerda estão representadas a taxa Selic e a remuneração dos papéis prefixados com vencimento desde 2014 até 2017. Na direita, as barras mostram as diferenças, em pontos percentuais, entre as taxas dos títulos prefixados e a Selic.
Em curto período, a Selic caiu de 10,5% para 9% ao ano e afetou a rentabilidade dos demais papéis. A remuneração da NTN-F com vencimento em 2017, por exemplo, caiu de 11,46% para 10,09% ao ano.
Se por um lado o ganho nominal de todos os papéis prefixados diminuiu, a contrapartida é que o prêmio dos títulos em relação à taxa Selic aumentou. No início de fevereiro a diferença entre o papel com vencimento em 2014 e a Selic era negativa, de quase meio ponto percentual. Atualmente, ambas as taxas estão praticamente iguais.
Nos papéis mais longos, a diferença entre as taxas está mais positiva, conforme mostram as barras da direita do gráfico.
Se o cenário econômico do BC se confirmar, com a inflação controlada e a taxa básica baixa, os papéis prefixados de longo prazo irão garantir ganhos maiores ao investidor. O risco é a taxa de juro voltar a subir.

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