Juro baixo será privilégio do melhor cliente


Sob forte pressão do governo para reduzir os spreads e seguindo os bancos públicos que saíram na frente, um a um os grandes bancos privados anunciam cortes de suas taxas. HSBC, sem ação em bolsa no país e sem contas a prestar a acionistas locais, agiu antes. O Santander veio ontem com um pacote restrito a pequenas e médias empresas. Hoje foi a vez dos dois bancos mais importantes desse cabo de guerra com os bancos públicos agirem. Primeiro Bradesco, seguido por  Itaú Unibanco. De maneira geral, caíram as taxas mínimas que podem ser praticadas pelos bancos e, em alguns casos, as máximas também baixaram. Mas os bancos continuam a trabalhar com um intervalo de taxas, o que significa que de bate pronto é muito difícil auferir o efeito prático dos diversos anúncios.

A taxa que efetivamente será praticada pelos bancos é informação estratégica. A única certeza que se pode ter é que apenas os clientes com melhor risco de crédito — e contrapartidas a oferecer ao banco como aplicações financeiras — é que deverão ter acesso às taxas do piso. Muitas vezes, o juro convidativo é oferecido ao cliente que menos precisa. E não há nenhuma novidade nessa política. Importante destacar também que as taxas mais baixas vêm cercadas de muitas amarras, como exigências de migração de conta de um banco concorrente e até contratação de outros produtos.
Se todo o barulho que se criou com essa sucessão de anúncios, cercados de muito marketing e frases de efeito, se convertirá de fato em taxas médias mais convidativas e se, por fim, tudo isso levará a uma injeção de mais crédito na economia como deseja o governo, só o passar do tempo e os próximos demonstrativos financeiros dos bancos contarão.

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