IOF já afeta fluxo cambial e custo de exportador sobe

O cerco promovido pelo governo aos ingressos de recursos externos elevou o custo de financiamento dos exportadores que recorrem ao Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC), reduziu a entrada de dólares em algumas linhas alvos da elevação do IOF e estimulou a procura de formas de burlar o imposto. Por exemplo, os bancos locais "desenterraram" um modelo de operação de financiamento às exportações regulamentado em 1975, pela Lei 6.313, a Cédula de Crédito à Exportação ou Nota de Crédito à Exportação.
Dois movimentos reforçaram a demanda por ACCs que acabaram aumentando seu custo. Um deles é o temor de que novas medidas acabem impondo restrições a essa linha. O outro é a desvalorização do real, que atrai mais operações. Entre janeiro e fevereiro, o movimento de ACCs foi de US$ 6,9 bilhões, com uma média diária de US$ 168 milhões. Na segunda semana de março, a média subiu para US$ 284 milhões.
Com a instituição do IOF, esfriaram as operações de pagamento antecipado de exportações. Por esses contratos, que estavam sendo negociados com prazos de até dez anos, entraram US$ 8,5 bilhões nos dois primeiros meses do ano. A média diária em janeiro foi de cerca de US$ 230 milhões, a de fevereiro, de US$ 184,7 milhões e entre os dias 5 e 9 deste mês caiu para US$ 136 milhões.
Para fugir do imposto nos empréstimos externos e no pré-pagamento de exportações, foram ressuscitadas as CCE-NCE, uma operação em reais para a qual não haveria limitação de funding para os bancos. Uma cotação feita a pedido doValor para essa modalidade, com vencimento em dez anos, mostrou custo de 95% do CDI para amortização do principal. Se a opção for por amortização do principal mais pagamento de juros, com dois anos de carência, o preço seria de CDI mais 2,84% ao ano. Segundo uma corretora, é uma taxa alta perto daquelas que o exportador dispunha antes.
De acordo com tesoureiros, a NCE é boa alternativa para linhas curtas, atendendo os exportadores que precisam de dinheiro imediato.

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