Fundos do Vale do Silício bancam novatas do Brasil


O dinheiro que ajudou a criar algumas das principais forças do Vale do Silício californiano, como o Google e o Facebook, começa a irrigar as "startups" brasileiras. Fundos da Califórnia começaram a avaliar as companhias brasileiras em 2008, mas os aportes tornaram-se mais comuns a partir do ano passado.

Sete grupos destacam-se no novo cenário: Redpoint Ventures, BV Capital, Flybridge CapitalPartners, Accel Partners, Tiger Global Management, Venture Capital Group e 500Startups. Juntos, detêm participações em 20 companhias novatas - quase todas de internet. Não é possível saber quanto esses grupos investiram até agora no país, pois boa parte dos valores permanece em sigilo. Em geral, os fundos fazem investimentos classificados nos EUA como série A, entre US$ 1 milhão e US$ 10 milhões por empresa.
A Shoes4You, um clube de compras de sapatos e acessórios, recebeu aportes do Accel Partners (investidor do Facebook e Groupon), do Redpoint Ventures (Netflix), e do Flybridge Capital Partners. Olivier Grinda, presidente da Shoes4You, considera a experiência diferente da que viveu em outras empresas iniciantes. "Os fundos do Vale do Silício trabalham com perspectiva de longo prazo, de 10 a 20 anos. Há uma preocupação em alinhar as perspectivas, mas sem a cobrança imediata por receita e fluxo de caixa", diz.As companhias mais cobiçadas são as de comércio eletrônico, marketplaces (venda de conteúdo, serviços ou produtos oferecidos por quem não tem sua própria loja virtual), cursos via internet, redes sociais e criadores de software para dispositivos móveis.
Jon Karlen, sócio do Flybridge, já veio três vezes ao Brasil neste ano em busca de projetos de educação on-line, mídias sociais e softwares para dispositivos móveis. O fundo tem carteira de US$ 560 milhões, dos quais planeja investir US$ 100 milhões no país nos próximos anos. Até agora, aplicou em quatro empresas.
Dono de US$ 3 bilhões, o Redpoint Venture está otimista em relação ao Brasil. Hoje tem participação em sete empresas. "Os recursos destinados ao Brasil não chegam a 10% da carteira, mas a expectativa é ultrapassar o percentual em poucos anos", diz Jeff Brody, sócio-fundador. O interesse é tanto que o Redpoint juntou-se ao BV Capital - outro fundo americano, com US$ 300 milhões - para criar a eVentures Redpoint. A empresa de investimentos, com sede em São Paulo, tem interesse em comércio eletrônico, mídia e software para dispositivos móveis.
O surgimento de empresas bilionárias no comércio eletrônico do país, como a Netshoes, tem atraído também grupos europeus e latino-americanos interessados em diversificar investimentos.

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