Empresas abertas mantêm mais de R$ 280 bi em caixa


As empresas de capital aberto têm em caixa mais de R$ 280 bilhões e essa montanha de recursos não utilizados torna-se bem menos rentável com os cortes sucessivos na taxa básica de juros (Selic) feitos a partir de agosto e acentuados na semana passada. Mas isso não está funcionando como incentivo para que as empresas reduzam sua liquidez acelerando ou ampliando investimentos no setor produtivo ou reduzindo seus níveis de endividamento.

No Brasil, o saldo em caixa representa 11% do total de ativos das empresas abertas, bem acima do índice visto nos Estados Unidos, por exemplo, que está próximo de 6% e é o mais alto em seis décadas, como apontou o blog "O Estrategista", do Portal Valor.

Uma das razões para a relutância em utilizar rapidamente os recursos é o receio com o cenário externo, ainda turbulento. O custo de manter dinheiro disponível, mesmo com rentabilidade menor, seria equivalente ao de um seguro para o clima de incerteza. Pesa ainda a dúvida sobre quão estrutural é o movimento de baixa dos juros, já que as previsões de mercado sugerem que a Selic voltará a subir em 2013. Existe também a percepção de que, embora os juros estejam em queda, uma taxa próxima de 9% ainda é bastante alta.Se o juro médio ao longo de 2011 foi de 11,6%, neste ano deve ficar em 9,4%, pelas previsões contidas no Boletim Focus do Banco Central. Em termos de rentabilidade, a queda é de quase 20%. Se o saldo médio de caixa for de R$ 280 bilhões ao longo do ano, as aplicações financeiras renderão cerca de R$ 6 bilhões a menos. Os dados sobre posição de caixa e aplicações são da Economática e se referem a 229 companhias com patrimônio líquido acima de R$ 150 milhões.
"É preciso analisar se essa queda da Selic faz alguma diferença para estimular a economia no médio e longo prazos. A indústria não se move porque o juro cai um ponto. Esse é o horizonte do mercado financeiro", resume Francisco Schmitt, diretor de relações com investidores da fabricante de calçados Grendene, que tinha em dezembro R$ 804 milhões em caixa líquido. Ele lembra que a empresa tem capacidade de produzir 200 milhões de pares por ano, mas só fabricou 150 milhões em 2011, o que significa que, por ora, ela pode crescer sem investir.
Entre as companhias abertas, a Ambev é quem possui a maior posição líquida de caixa, com R$ 4,1 bilhões. Segundo Nelson Jamel, vice-presidente financeiro, a empresa pretende manter "um pouquinho mais esse colchão de liquidez, dadas as incertezas do mercado".

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